Portfolio
Massacre em Mozote, vinte cinco anos depois
Em dezembro de 1981, durante a Guerra Civil de El Salvador (1980-1992), o Batalhão Atlácatl, unidade das Forças Armadas treinada e financiada pelos EUA, massacrou mais de mil civis em El Mozote e arredores, na província de Morazán. A maioria eram mulheres, crianças e idosos, tornando-se um dos episódios mais brutais da história latino-americana. No contexto da Guerra Fria, o governo salvadorenho tinha apoio militar dos Estados Unidos na repressão a guerrilheiros de esquerda. Em 1991, a Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), junto à Tutela Legal del Arzobispado de San Salvador e familiares das vítimas, iniciou o processo de exumação e identificação dos corpos, buscando justiça e reparação. Este ensaio, feito entre 2002 e 2005, propõe a fotografia como linguagem para documentar uma parte desse processo. A partir desse trabalho, foi lançado um livro e exposições.
2006

A fotógrafa Susan Meiselas segura uma de suas fotografias no local onde foi tirada no início de janeiro de 1982, semanas após o massacre de El Mozote. A fotografia de Meiselas apareceu no The New York Times em 27 de janeiro de 1982. A notícia do massacre provocou um intenso debate no Congresso dos Estados Unidos, onde a renovação da ajuda militar a El Salvador já era objeto de controvérsia. Tanto o governo salvadorenho quanto o Departamento de Estado dos EUA declararam que houve uma operação militar na área, mas que não houve um massacre.
El Mozote. 2001
Parentes das vítimas trabalham no início do processo das escavações. Grupos de direitos humanos e moradores do departamento de Morazán, incluindo sobreviventes e parentes das vítimas, continuaram pressionando por uma investigação completa sobre o que aconteceu em El Mozote. Em 1989, a Tutela Legal e organizações em Morazán iniciaram uma extensa investigação sobre o massacre.
El Mozote. 2001
Sobreviventes do massacre observam a recuperação dos restos mortais na fossa, metros de onde uma vez estava sua casa. Don Sotero , setenta e cinco anos de idade, durante a exumação, lembrou detalhadamente a sequência de eventos na manhã de 16 de dezembro de 1981, quando ele voltou para casa depois de passar dias escondido em uma caverna de rio. Pedro e Sotero sobreviveram ao massacre, enterraram seus parentes e vizinhos e apresentaram seu testemunho em 1990, quando a guerra ainda não havia terminado.
El Salvador 2003
Instituto de Medicina Legal. São Salvador. 2001. Patricia Bernardi, membro da EAAF, observa o Dr. Clyde C. Snow, um renomado antropólogo forense, durante a análise no laboratório. O Dr. Snow treinou os antropólogos da Equipe-Argentina de antropología-forense em 1984, bem como outras equipes forenses na América Latina.

El Salvador 2003
Doutor Clyde Snow observa uma placa de raio-X
El Mozote. 2003
Parentes das vitimas identificadas em 2003, pousam para uma fotografia em um velório particular.
El Mozote. 2003
Cerimônia na Igreja de El Mozote para as vítimas da massacre identificadas em 2003